- Eu amo o mundo! Eu detesto o mundo!
Eu creio em Deus! Deus é um absurdo!
Eu vou me matar! Eu quero viver!
- Você é louco?
- Não, sou poeta.
Este poema de Mário Quintana fala de emoção na sua profundidade e desperta em nós a busca pelo autoconhecimento e a busca por sentido, além do manejo das nossas emoções.
Muitas vezes, sentimos coisas opostas ao mesmo tempo. Podemos
amar o mundo e, ao mesmo tempo, achar que ele é difícil de suportar. Podemos
acreditar em algo maior, como Deus, mas também questionar essa crença. Há
momentos em que a vida parece insuportável e pensamos em desistir, mas, logo
depois, encontramos razões para continuar vivendo.
A citação reflete um conflito interno e paradoxal que muitos indivíduos podem experimentar. Os sentimentos de amor e ódio pelo mundo representam a dualidade das experiências humanas, onde a beleza e a dor coexistem. A crença em Deus, seguida pela declaração de que "Deus é um absurdo", sugere uma luta com questões de fé, dúvida e a busca por sentido.
Além disso, a menção ao desejo de "se matar" e, simultaneamente, querer "viver" evidencia uma batalha entre a desesperança e a vontade de continuar. O desfecho, ao se identificar como poeta e não como louco, indica que essas emoções intensas são vistas como parte da sensibilidade e da criatividade que caracterizam a expressão artística, em vez de um sinal de insanidade.
Alguém pode nos olhar e pensar que somos loucos por sentir tantas coisas diferentes de uma vez. No entanto, essa mistura de sentimentos não é loucura; é a essência da poesia e da arte. É uma maneira de expressar as profundezas do coração humano e a beleza das emoções que experimentamos. Assim, a citação captura a complexidade das emoções humanas e a função da poesia como uma forma de lidar com essas contradições.
Mário
Quintana, um dos mais importantes poetas brasileiros. Ele frequentemente
usava a simplicidade das palavras para abordar temas profundos, como a
complexidade das emoções humanas, de uma maneira leve e acessível. Para mim ser poeta é ter a coragem de abraçar todas essas
contradições e transformá-las em palavras que tocam os outros.
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